terça-feira, 10 de novembro de 2009

Inteligência, Cultura e Sabedoria

Existem dois tipos de intelectuais, o falso e o verdadeiro. Infelizmente, o verdadeiro costuma ser vaidoso. Apesar dos pesares, aprendemos com ambos, mas há momentos que chegam a causar certo mal estar. O falso intelectual não digere o que leu e aprendeu, passando a não ter opinião própria e ficando a repetir o que os outros disseram e escreveram. Já o intelectual vaidoso, menospreza a inteligência dos que estão a lhe ouvir, sempre se achando o máximo e que sabe tudo. Ao começar a falar, dispara um interminável rosário de palavras difíceis e rebuscadas, esquecendo-se que ali pode haver pessoas que tenham dificuldades de lhe entender, além de não dar o direito aos outros de opinarem e se manifestarem contra ou a favor, dependendo da posição de cada um. Ser inteligente não é ser culto, como também não quer dizer que a pessoa culta seja inteligente, uma coisa não depende da outra, pois cultura é a soma de conhecimentos adquiridos no decorrer de uma vida, garimpando, pesquisando, estudando e se informando, reunindo assim um conteúdo, que o fará refletir e questionar sempre as verdades estabelecidas. Muitos empregam sua cultura para o bem, já outros para o mal. Quando usada para o mal, manipula pessoas com discursos demagógicos. Quando usada para bem, ajuda a construir uma sociedade mais justa e solidária, conscientizando cidadãos, ajudando-os a se libertarem da acomodação, despertando-os para seus direitos. Nesta vida, mais importante que ser culto, é ser sábio e uma das principais qualidades do sábio é ser humilde e respeitar a individualidade e limitação do outro. Ao conversarmos com pessoas do povo, gente com experiências de sofrimentos e sacrifícios, no enfrentamento do dia a dia de dificuldades, aprendemos muito, usufruindo ainda de momentos agradáveis, absorvendo vivências. Melhor ainda do que ser intelectual e culto é saber viver e conviver com os diferentes, respeitando opiniões em contrário, vivendo em harmonia com o próximo e com a natureza. De que vale ser uma biblioteca ambulante e ser mal humorado, rancoroso, antipático e não saber fazer amigos.

Armando Maynard

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Snapses (1)

Se o escritor ficcionista é um mentiroso, o que seria então um advogado de defesa, que sabe que o réu é um criminoso, mas mesmo assim trabalha para inocentá-lo.

AS RUAS
As ruas do centro da minha cidade,
São limpas e claras.
Já as da periferia,
Sujas e escuras.
Mas são ruas, ruas diferentes,
Em umas moram os abastados,
Nas outras moram os carentes.

Armando Maynard

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Brasil, Uma Olimpíada de Problemas

Hoje o nosso país vive uma ‘olimpíada de problemas’. Somos ‘premiados’ diariamente com o crescimento da marginalidade em decorrência do aumento da miséria. A injusta distribuição de renda aumenta cada vez mais a distância entre ricos e pobres, criando o “apartheid social”. O salário mínimo é de um valor vergonhoso comparado aos salários estratosféricos de políticos, ministros, secretários, conselheiros e outras categorias. Os serviços de saúde dos estados e municípios maltratam a população com sua péssima qualidade. Nos hospitais e postos de saúde, faltam médicos, leitos e medicamentos, além do tratamento desumano a que são submetidos os pacientes, pois muitos ficam largados pelos corredores em macas, com lençóis rasgados e sujos. A segurança pública, despreparada para enfrentar a bandidagem, que cada vez mais, se abastece de armamentos sofisticados, na maioria das vezes mais potentes e modernos que os da polícia. A educação, com escolas em péssimas condições de funcionamento, sucateadas, por não terem manutenção, piorando pela falta de educação dos próprios alunos, que quebram carteiras, bebedouros e outros acessórios. Em salas de aulas, alunos fingem que aprendem e professores que ensinam. Os bairros da periferia é o lado feio das grandes cidades, em decorrência do abandonado pelos gestores, faltam pavimentação, saneamento básico e transportes. O comércio da droga é feito a luz do dia, viciando e aliciando jovens para o tráfico, fazendo com que ingressem logo cedo no mundo do crime. Tudo isso gera revolta, ressentimentos, ódio e violência e quem sofre com tudo isso, o cidadão de bem, que desprotegido, é roubado, assaltado, seqüestrado, maltratado e assassinado. Além dos péssimos exemplos da elite burguesa, prepotente e arrogante, que sonega impostos, desemprega e corrompe, temos os políticos, com seus vergonhosos escândalos semanais no congresso, onde estão mais preocupados com seus interesses, do que com os problemas de quem os elegeu. Enquanto isso os governos teimam em não darem prioridades ao que realmente merece, pois adoram fazer propaganda com obras de fachada e promover festas, muitas festas. Nas administrações, o que mais se vê são gestores gastando milhões em recuperação de prédios e praças, que por irresponsabilidades e incompetências, deixam que se destruam por falta de manutenção, para depois serem reconstruídos. Já o governo federal diz que está tudo bem e que apesar dos desmandos administrativos ocorridos nos Jogos Pan-Americanos, irá fazer de tudo para que não voltem a acontecer, e assegura que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão um sucesso, pois o Brasil está bem e que ainda vai sobrar dinheiro para emprestar ao FMI. Enquanto isso o povo... Será que estou sendo pessimista? Estou exagerando?
Armando Maynard

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Parque Teófilo Dantas em Aracaju-SE.

Na década de 60/70, eu tinha mania de na saída do emprego, dar uma passadinha no Cacique Chá e, saindo de lá, ir comer um cachorro-quente em “seu João”, que como bem diz o grande Amaral Cavalcante, era muito gostoso e sua receita, um segredo. Tanto o Cacique, quanto o Cachorro Quente, ficavam no Parque Teófilo Dantas, que, nessa época, tinha alguns cercados de telas de arame com animais e aves de várias espécies. Lembro dos macaquinhos que ficavam em frente à Padaria, na Rua Santo Amaro e que faziam grande sucesso junto às crianças e adultos. Outro animal que chamava atenção era a preguiça, que ficava, lentamente, passando de galhos em galhos dos tamarindeiros. Esse logradouro aprazível, já foi chamado de Parque Monsenhor Olímpio Campos, passando depois para Parque Teófilo Dantas, tempos depois, para Praça, sendo hoje conhecido popularmente como Pça. da Catedral. Isso me faz lembrar o caso do Edifício Estado de Sergipe, conhecido também como Edifício do Banese, mas que o sergipano o nominou de Edifício Maria Feliciana.
Armando Maynard

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Feirinha de Natal em Aracaju-SE. (Década de 60)

No inicio do mês de dezembro começavam os preparativos para a Feirinha de Natal, festa tradicional do Aracajuano, que se instalava no Parque Teófilo Dantas, no centro de Aracaju-Se. Tinha sua culminância na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, e ia até o dia 6 de janeiro, festa de Reis. Eram atrativos na festa diversos brinquedos como A Onda, Os Barquinhos, A Roda Gigante, e o famoso Carrossel do Tobias, um dos brinquedos mais tradicionais da época, e um patrimônio dos sergipanos que se perdeu – mais um. Quando o carrossel ia começar a rodar, avisava com um possante apito, que era ouvido em várias partes da cidade. Havia atrações por todo o parque, como as casinhas de teatro, com apresentações como A Bela e a Fera. Uma delas, atraía grande público, pois na sua fachada, acima da porta de entrada, tinha uma boneca vestida de baiana, rebolando ao som de uma frenética música. Por toda a praça ficavam espalhadas várias barracas e cercados, como a do tiro ao alvo com espingarda de ar comprimido, cuja munição eram setinhas, como a da pescaria na areia, em cujo peixe, de metal, estava escrito o nome do brinde e o jogo de argolas para laçar o prêmio. Um dos brindes mais desejados dos jovens eram as carteiras de cigarro, principalmente a minister. Do outro lado da Catedral ficavam as grandes e vistosas bancas de roletas, que depois foram proibidas. Ao fundo, os bares, onde a boemia se esbaldava até altas horas da noite, ouvindo músicas do cancioneiro popular, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Cauby Peixoto. À frente da igreja eram enfileirados os bancos das tradicionais famílias, constando nos seus encostos os nomes dos proprietários, que, à noite os ocupavam e, sentados, assistiam à movimentação dos transeuntes e o passeio dos jovens na grande passarela que se formava, cujo percurso ia da frente da Catedral, passando pela Sorveteria Iara, Pça. Fausto Cardoso até a Ponte do Imperador, num vai-e-vem interminável. Aos domingos, a mesma avançava pela Rua João Pessoa, quando as lojas abriam para expor suas reluzentes vitrines até as 22 horas. Era o footing, ou mais popularmente conhecido naquela época como “O Quem me Quer”. A vitrine da P. Franco chamava atenção pelo lançamento de modernos eletrodomésticos. Outras lojas também destacavam-se como a Dernier Cry, A Moda, Magazin dos Móveis. A Lar Belo, especializada em móveis e decorações, era a mais movimentada nas noites de domingo. Uma grande rampa que levava à parte superior da loja possibilitava um sobe e desce da turma da paquera. O passeio pela João Pessoa terminava na esquina da Rua São Cristóvão, na loja de sapatos Esquina da Economia, que no seu interior era cheia de espelhos - o deleite das garotas que ficavam a se olhar e arrumar as roupas e cabelos. Tempo do perfume Lancaster, do gumex, pente de metal, da camisa volta ao mundo e do cigarro continental (por ser o mais barato), do cuba libre na Iara, da cerveja geladíssima no Cacique Chá e da sopa mão de vaca na Cascatinha. Não esquecendo do sorvete da Cinelândia e do Cachorro Quente de seu João. De volta ao parque... à meia noite havia a Missa do Galo. Nesta hora todos os brinquedos paravam, o Carrossel com seu apito silenciava e o serviço de alto-falantes passava a transmitir a santa missa. A feirinha de Natal era especial para a criançada, que nas tardes de dezembro, já de férias da escola, divertia-se bastante, pois além de várias atrações com a série de brinquedos ali existente, havia uma grande quantidade de guloseimas, como a maçã coberta com melado de açúcar, pirulito enrolado num papel e enfiado no palito, algodão doce nas cores branco e rosa, rolete de cana caiana, pipoca de milho doce e salgado, amendoim torrado e castanha de caju, bala de café, mariola e fubá, chiclete de bola, picolé de mangaba, balões de gás - sucesso na época que apareceu por aqui - bolas de soprar de todas as formas e tamanhos, brinquedos artesanais feitos de madeira como o mané gostoso. Bons tempos que não voltam mais, tendo ficado registrado na lembrança e na saudade dos que viveram o Aracaju antigo. Muitos anos depois quiseram reviver esta mesma Feirinha no Parque da Sementeira, mas não vingou. Os tempos são outros, as crianças hoje querem é videogame e com certeza diriam que o Carrossel do Tobias era devagar demais.
Armando Maynard

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Educação dos Filhos

“Eduquemos as crianças para não precisarmos punir os adultos”.

É responsabilidade primeira dos pais, educarem e bem, os seus filhos. Educação que deve começar logo nos primeiros meses de vida, no lar, pelos dois, pai e mãe, em combinação e parceria, para que não se crie uma disputa de poder, num acompanhamento do dia-a-dia, não deixando passar nada, pois a falta praticada hoje e não repreendida, punida ou castigada, dependendo da idade, é claro, poderá ser repetida no amanhã e o que é pior, já acompanhada de outra, mais nova ou até mais grave. Por isso os pais deverão ficar atentos, enfrentando os conflitos e incompreensões, muito comuns nessa idade, com firmeza e autoridade, pois como dizia minha saudosa mãe, “pé de galinha não mata pinto” e demonstrando ao mesmo tempo amor e bons exemplos. Esse acompanhamento deverá permanecer até que o filho, com a ajuda da escola e professores, já adolescentes, comece a ter maturidade e discernimento. Isto não quer dizer que se vá baixar à guarda, não, “filhos criados, trabalhos dobrados” já diz o ditado, pois mesmo já adultos, continuam a merecer atenção e acompanhamento, conselhos e até preleções, devendo ser chamados atenção, quando necessário, óbvio que reservadamente, quando alguma atitude e comportamento não estiverem compatíveis com os princípios que nortearam a educação e formação dada, pois muitas vezes o que lhes fora ensinado, e que hoje motivado pela frouxidão dos costumes e de valores, desta época em que vivemos, onde se dar mais valor ao ter do que ao ser, de um mercado competitivo, agressivo e muitas vezes antiético e de um sistema capitalista selvagem, termina por acontecer certos desvios de condutas. É aí em que entram os pais, atentos e sempre alertas, querendo o melhor para seus filhos, chamando-os à atenção, fazendo-os com que voltem ao rumo certo, de homem de bem, de retidão de caráter, cidadão cumpridor de seus deveres e exigentes com seus direitos. Sejamos pais/amigos de nossos filhos, acompanhando-os sempre, até o fim de nossas vidas, pois mais experiências e vivências, certamente nós temos.
Armando Maynard

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Violência e Medo - Real e Virtual

Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado...” (W)

“O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente...” (Wikipédia)

O medo hoje paira em todos os lares. Famílias inteiras ficam apreensivas, quando um dos seus tem que sair à rua para trabalhar, ou para um simples lazer. Em todos os lugares você está sujeito a passar por um susto ou até ser morto em decorrência de um roubo ou assaltado. As residências viraram verdadeiras fortalezas, com grades, cercas elétricas e cães e os mais ricos com segurança particular. O celular é a ferramenta de monitoramento dos pais para saberem se seus filhos estão bem. A vida se torna a cada dia que passa mais arriscada. A violência é a tônica dos noticiários locais, nacionais e internacionais. Viver hoje é um risco. Nas grandes cidades, cada dia mais pessoas ficam traumatizadas por terem vividos horas de desespero nas mãos de seqüestradores e bandidos. Isto quando o desfecho do seqüestro termina bem, quando a família consegue pagar o resgate, ou a polícia descobrir o cativeiro, sem que isso traga prejuízos à integridade física dos reféns. Na periferia das cidades um tiroteio pode surgir a qualquer momento e uma bala perdida pode atingir um cidadão que vai passando na hora. No Rio de Janeiro, o medo de assalto nas ruas é tão grande, que quando um carro quebra em área de maior risco, como dentro de um túnel, por exemplo, o motorista sai na carreira do carro e o abandona, com medo de ser assaltado e morto. Ao se viajar para o exterior, o medo continua, por conta dos atentados terroristas. Esta loucura do mundo atual, mata indiscriminadamente inocentes, em nome de crenças, ideologias e outras loucuras. Muitos chegam a rezar antes de se explodirem, são os homens bombas. Mesmo em casa trancado, vivemos com medo de usarmos a internet, onde os hackers entram no computador, passando a ter acesso a conta do Banco e debitando despesas em nosso cartão de crédito, sem falar dos ataques de vírus que contaminam as nossas máquinas, corrompendo arquivos. É uma verdadeira guerra de medo e violência real e virtual.
Armando Maynard