“Se você quer saber como foi seu passado, olhe para quem você é hoje. Se quer saber como vai ser seu futuro, olhe para o que está fazendo hoje” (Provérbio chinês).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Feirinha de Natal

Foto: Armando Maynard

No inicio do mês de dezembro começavam os preparativos para a Feirinha de Natal, festa tradicional do Aracajuano, que se instalava no Parque Teófilo Dantas, no centro de Aracaju-Se. Tinha sua culminância na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, e ia até o dia 6 de janeiro, festa de Reis. Eram atrativos na festa diversos brinquedos como A Onda, Os Barquinhos, A Roda Gigante, e o famoso Carrossel do Tobias, um dos brinquedos mais tradicionais da época, e um patrimônio dos sergipanos que se perdeu – mais um. Quando o carrossel ia começar a rodar, avisava com um possante apito, que era ouvido em várias partes da cidade. Havia atrações por todo o parque, como as casinhas de teatro, com apresentações como A Bela e a Fera. Uma delas, atraía grande público, pois na sua fachada, acima da porta de entrada, tinha uma boneca vestida de baiana, rebolando ao som de uma frenética música. Por toda a praça ficavam espalhadas várias barracas e cercados, como a do tiro ao alvo com espingarda de ar comprimido, cuja munição eram setinhas, como a da pescaria na areia, em cujo peixe, de metal, estava escrito o nome do brinde e o jogo de argolas para laçar o prêmio. Um dos brindes mais desejados dos jovens eram as carteiras de cigarro, principalmente a minister. Do outro lado da Catedral ficavam as grandes e vistosas bancas de roletas, que depois foram proibidas. Ao fundo, os bares, onde a boemia se esbaldava até altas horas da noite, ouvindo músicas do cancioneiro popular, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Cauby Peixoto. À frente da igreja eram enfileirados os bancos das tradicionais famílias, constando nos seus encostos os nomes dos proprietários, que, à noite os ocupavam e, sentados, assistiam à movimentação dos transeuntes e o passeio dos jovens na grande passarela que se formava, cujo percurso ia da frente da Catedral, passando pela Sorveteria Iara, Pça. Fausto Cardoso até a Ponte do Imperador, num vai-e-vem interminável. Aos domingos, a mesma avançava pela Rua João Pessoa, quando as lojas abriam para expor suas reluzentes vitrines até as 22 horas. Era o footing, ou mais popularmente conhecido naquela época como “O Quem me Quer”. A vitrine da P. Franco chamava atenção pelo lançamento de modernos eletrodomésticos. Outras lojas também destacavam-se como a Dernier Cry, A Moda, Magazin dos Móveis. A Lar Belo, especializada em móveis e decorações, era a mais movimentada nas noites de domingo. Uma grande rampa que levava à parte superior da loja possibilitava um sobe e desce da turma da paquera. O passeio pela João Pessoa terminava na esquina da Rua São Cristóvão, na loja de sapatos Esquina da Economia, que no seu interior era cheia de espelhos - o deleite das garotas que ficavam a se olhar e arrumar as roupas e cabelos. Tempo do perfume Lancaster, do gumex, pente de metal, da camisa volta ao mundo e do cigarro continental (por ser o mais barato), do cuba libre na Iara, da cerveja geladíssima no Cacique Chá e da sopa mão de vaca na Cascatinha. Não esquecendo do sorvete da Cinelândia e do Cachorro Quente de seu João. De volta ao parque... à meia noite havia a Missa do Galo. Nesta hora todos os brinquedos paravam, o Carrossel com seu apito silenciava e o serviço de alto-falantes passava a transmitir a santa missa. A feirinha de Natal era especial para a criançada, que nas tardes de dezembro, já de férias da escola, divertia-se bastante, pois além de várias atrações com a série de brinquedos ali existente, havia uma grande quantidade de guloseimas, como a maçã coberta com melado de açúcar, pirulito enrolado num papel e enfiado no palito, algodão doce nas cores branco e rosa, rolete de cana caiana, pipoca de milho doce e salgado, amendoim torrado e castanha de caju, bala de café, mariola e fubá, chiclete de bola, picolé de mangaba, balões de gás - sucesso na época que apareceu por aqui - bolas de soprar de todas as formas e tamanhos, brinquedos artesanais feitos de madeira como o mané gostoso. Bons tempos que não voltam mais, tendo ficado registrado na lembrança e na saudade dos que viveram o Aracaju antigo. Muitos anos depois quiseram reviver esta mesma Feirinha no Parque da Sementeira, mas não vingou. Os tempos são outros, as crianças hoje querem é videogame e com certeza diriam que o Carrossel do Tobias era devagar demais.

Armando Maynard

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Educação dos Filhos

“Eduquemos as crianças para não precisarmos punir os adultos”.

É responsabilidade primeira dos pais, educarem e bem, os seus filhos. Educação que deve começar logo nos primeiros meses de vida, no lar, pelos dois, pai e mãe, em combinação e parceria, para que não se crie uma disputa de poder, num acompanhamento do dia-a-dia, não deixando passar nada, pois a falta praticada hoje e não repreendida, punida ou castigada, dependendo da idade, é claro, poderá ser repetida no amanhã e o que é pior, já acompanhada de outra, mais nova ou até mais grave. Por isso os pais deverão ficar atentos, enfrentando os conflitos e incompreensões, muito comuns nessa idade, com firmeza e autoridade, pois como dizia minha saudosa mãe, “pé de galinha não mata pinto” e demonstrando ao mesmo tempo amor e bons exemplos. Esse acompanhamento deverá permanecer até que o filho, com a ajuda da escola e professores, já adolescentes, comece a ter maturidade e discernimento. Isto não quer dizer que se vá baixar à guarda, não, “filhos criados, trabalhos dobrados” já diz o ditado, pois mesmo já adultos, continuam a merecer atenção e acompanhamento, conselhos e até preleções, devendo ser chamados atenção, quando necessário, óbvio que reservadamente, quando alguma atitude e comportamento não estiverem compatíveis com os princípios que nortearam a educação e formação dada, pois muitas vezes o que lhes fora ensinado, e que hoje motivado pela frouxidão dos costumes e de valores, desta época em que vivemos, onde se dar mais valor ao ter do que ao ser, de um mercado competitivo, agressivo e muitas vezes antiético e de um sistema capitalista selvagem, termina por acontecer certos desvios de condutas. É aí em que entram os pais, atentos e sempre alertas, querendo o melhor para seus filhos, chamando-os à atenção, fazendo-os com que voltem ao rumo certo, de homem de bem, de retidão de caráter, cidadão cumpridor de seus deveres e exigentes com seus direitos. Sejamos pais/amigos de nossos filhos, acompanhando-os sempre, até o fim de nossas vidas, pois mais experiências e vivências, certamente nós temos.
Armando Maynard

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Violência e Medo - Real e Virtual

Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado...” (W)

“O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente...” (Wikipédia)

O medo hoje paira em todos os lares. Famílias inteiras ficam apreensivas, quando um dos seus tem que sair à rua para trabalhar, ou para um simples lazer. Em todos os lugares você está sujeito a passar por um susto ou até ser morto em decorrência de um roubo ou assaltado. As residências viraram verdadeiras fortalezas, com grades, cercas elétricas e cães e os mais ricos com segurança particular. O celular é a ferramenta de monitoramento dos pais para saberem se seus filhos estão bem. A vida se torna a cada dia que passa mais arriscada. A violência é a tônica dos noticiários locais, nacionais e internacionais. Viver hoje é um risco. Nas grandes cidades, cada dia mais pessoas ficam traumatizadas por terem vividos horas de desespero nas mãos de seqüestradores e bandidos. Isto quando o desfecho do seqüestro termina bem, quando a família consegue pagar o resgate, ou a polícia descobrir o cativeiro, sem que isso traga prejuízos à integridade física dos reféns. Na periferia das cidades um tiroteio pode surgir a qualquer momento e uma bala perdida pode atingir um cidadão que vai passando na hora. No Rio de Janeiro, o medo de assalto nas ruas é tão grande, que quando um carro quebra em área de maior risco, como dentro de um túnel, por exemplo, o motorista sai na carreira do carro e o abandona, com medo de ser assaltado e morto. Ao se viajar para o exterior, o medo continua, por conta dos atentados terroristas. Esta loucura do mundo atual, mata indiscriminadamente inocentes, em nome de crenças, ideologias e outras loucuras. Muitos chegam a rezar antes de se explodirem, são os homens bombas. Mesmo em casa trancado, vivemos com medo de usarmos a internet, onde os hackers entram no computador, passando a ter acesso a conta do Banco e debitando despesas em nosso cartão de crédito, sem falar dos ataques de vírus que contaminam as nossas máquinas, corrompendo arquivos. É uma verdadeira guerra de medo e violência real e virtual.
Armando Maynard